Vale a Pena ser Médico no Setor Público ou é Melhor Focar 100% no Setor Privado?

Vale a Pena ser Médico no Setor Público ou é Melhor Focar 100% no Setor Privado?

 

 

Os médicos que trabalham na Secretaria de Saúde do Distrito Federal sempre perguntam: "Mateus, será que vale a pena largar as 20 horas que eu faço no GDF para focar no meu consultório ou em hospitais particulares da cidade?"


Eu sempre falo que não há uma resposta única e depende da situação de cada um.

A ideia desse artigo é mostrar as vantagens e desvantagens de cada caminho, tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista de benefícios e qualidade de vida.



Vantagens da carreira no setor privado.


1) Possibilidade de ganhos superiores aos praticados no setor público


Em Brasília, a hora do médico é bem remunerada, além de ter oportunidade de trabalho mesmo em tempos de crise econômica. A grande questão é se vale a pena trocar a estabilidade e os benefícios do setor público por essa hora bem paga no setor privado.

Para cada especialidade na medicina essa resposta será diferente, assim como em qual fase da carreira o profissional está. De modo geral, um médico que trabalha 20 horas por semana no GDF recebe por volta de R$ 9 mil líquido por mês. A hora desse profissional acaba custando algo em torno de R$112.

No setor privado esse ganho é diferente, seja no valor da hora da consulta do médico ou do valor do plantão. Tenho clientes que ganham R$800/hora na consulta, outros que recebem R$20mil/mês dando plantões e os que estão no topo ganham mais que R$100mil/mês com cirurgias. Perceba que esses valores são bem superiores se comparados a hora do profissional do setor público.



2) Aposentadoria precoce

Caso o profissional dedique 100% do tempo na carreira privada, as chances de se aposentar antes dos 60 anos é bem relevante, principalmente os médicos que atuam como cirurgiões e anestesistas onde a remuneração é mais elevada. Para que isso aconteça, a principal atitude que o profissional tem que ter é poupar todo mês um montante da sua remuneração mensal.

Como exemplo, caso um profissional de 30 anos de idade invista R$10mil todo mês (valores compatíveis com a realidade de um médico de Brasília que tenha suas finanças em ordem), a uma taxa de juros real de 3% ao ano, esse médico terá depois de 25 anos por volta de R$4,4 milhões, valor suficiente para garantir uma aposentadoria de R$15mil por mês durante 46 anos, ou seja, esse profissional poderia aposentar aos 55 anos de idade e consumir R$15mil por mês até seus 101 anos de vida. Está ótimo, certo?



3) Satisfação profissional

É nítida a diferença de satisfação entre meus clientes médicos que atuam no setor privado em relação aos que atuam no setor público. As principais críticas sobre o ambiente profissional do setor público são relativas à falta de estrutura (leitos, equipamentos e estrutura física) e também sobre a motivação dos colegas profissionais.

Muitos relatam que boa parte dos médicos que atuam no setor público estão ali mais para garantir o salário base no final do mês e os benefícios do setor público (aposentadoria, auxílios diversos, estabilidade, etc.) do que pelo serviço fim de ajudar a população em suas necessidades mais básicas. Com isso, percebe-se que esses profissionais acabam se sentindo desmotivados no dia a dia.

Do outro lado, estão os profissionais que atuam exclusivamente no setor privado. Percebe-se que estes mostram um grau de motivação superior aos colegas que atuam no setor público. Apesar de não terem os mesmos benefícios, o fato de atuarem em ambientes mais estruturados, além de perceberem que quanto maior for a dedicação para seus pacientes, cada vez mais terão retornos positivos, seja na gratidão de seus pacientes, seja no crescimento profissional e, consequentemente, em sua remuneração no longo prazo.


5) Liberdade na rotina

Outra vantagem que só quem atua no setor privado tem é a liberdade de poder escolher os horários de atendimento em suas atuações. Claro que há várias situações onde o médico não tem 100% da liberdade de escolha, como por exemplo os profissionais que atuam em regime de plantão nos hospitais. Mesmo assim, caso o médico queira umas semanas de folga para fazer uma viagem ou resolver questões pessoais, a liberdade de escolha é superior se comparada a do setor público, onde há horário obrigatório a ser cumprido.

Desvantagens da carreira no setor privado


1) Insegurança financeira

Para aqueles que trabalham somente em empresas particulares, as principais preocupações são em não ter dinheiro para se manter em caso de não poder trabalhar mais e não conseguir a tão desejada aposentadoria.

Essas duas inseguranças que os profissionais enfrentam podem ser minimizadas ou até anuladas, caso o médico contrate seguros pessoais para cobrir o risco de uma invalidez precoce e inicie seus investimentos particulares a partir da primeira remuneração para assegurar a aposentadoria até mesmo antes do prazo imaginado. Para isso, há que se ter disciplina e comprometimento com seu futuro financeiro.

Profissionais que atuam no setor público possuem uma menor preocupação com essas duas características, afinal caso ocorra uma invalidez precoce há os benefícios generosos do Estado, além do fato da aposentadoria do setor Público ser algo que não dependa do comprometimento de longo prazo do profissional, pois o benefício da aposentadoria para o servidor público é algo imposto, não depende da força de vontade dos médicos de investir todo mês, afinal os recursos que vão para suas aposentadorias são descontados direto na folha de pagamento.


3) Carga elevada de trabalho

Para receber a aposentadoria que o servidor público tem direito, o médico que atue somente no setor privado tem que trabalhar em um ritmo mais intenso ao longo da carreira e se dedicar a poupar mais recursos recebidos ao longo dos anos.

Um profissional que atue ao longo de toda a vida no setor público e não faça nenhuma contribuição a mais daquela prevista em lei, consegue receber por volta de 80% do salário da ativa, atualmente. Já para o profissional do setor privado, esse percentual muitas vezes não passa nem dos 30%, considerando o teto do INSS de R$5.839,45 e o salário de R$16.000 de um médico que atue no setor particular.

Ou seja, para garantir um padrão de vida na aposentadoria similar ao que se leva durante a vida profissional, o médico do setor privado precisa dedicar mais horas na frente do paciente e investir mais recursos ao longo dos anos.


4) Não há os benefícios do serviço público

Para muitos, os benefícios do serviço público ainda pesam bastante na decisão: licença maternidade, aposentadoria, proteções contra incapacidade de trabalhar ( auxílio doenças e invalidez ), pensão para os dependentes, etc.

Acontece que esses benefícios estão cada vez menos favoráveis aos novos servidores, como por exemplo a aposentadoria que já foi integral, mudou para 80% da média dos maiores salários e agora depende da contribuição do servidor/Estado e da capacidade de gestão dos recursos da nova previdência do DF, a DF-Previcom.

Assim, cada vez mais os servidores precisam ponderar se os benefícios oferecidos pelo Estado serão suficientes para o seu futuro financeiro.



Conclusão

Como comentado no início, não existe um caminho profissional certo para o médico seguir. O que mais importa é o profissional ter claro quais as vantagens/desvantagens de cada rumo.

Caso você seja uma médico que não queira ter limite em sua remuneração mensal, tenha disciplina de poupar e investir todo mês para sua aposentadoria, tenha a consciência da necessidade de contratar seguros pessoais para cobrir necessidades financeiras em caso de uma invalidez precoce e tenha perfil de dedicar mais horas na frente de seus pacientes, então o caminho de atuar somente no setor privado parece ser o melhor para você.

Agora se você é o profissional que queira ter um futuro sem grandes surpresas, não tenha ambição no quesito financeiro e queira uma vida profissional/financeira mais estável e previsível, então o caminho do setor público faz mais sentido pra você.

Bons investimentos!

 

Mateus Soares

Equipe Confiança

 

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